Acordei. Era um dia como outro qualquer. Sono, preguiça e aquela espiadinha no espelho antes de entrar no banho pra garantir que ainda era eu.
Sem que rufassem os tambores, sem que o Oriente vivesse em paz eu tinha uma expressão que não se desfazia. Era um pequeno e sutil suco ao redor do lábios, o bigode chinês. É claro que é uma coisinha imperceptível, muito mais que a as cicatrizes que eu ainda carrego dos tombos de criança desastrada.
Eu convivi com minha bisavó até meus 4 anos, quando a velhinha se foi aos 104. Então eu sei o que é ruga antes de saber o que é processo de envelhecimento, cremes e botox. Mesmo assim me assustei. Só fiquei mais calma quando lembrei de uma frase meio auto-ajuda que dizia que um homem de vinte anos tinha o rosto pronto e o homem de quarenta o rosto que tinha escolhido.
A primeira expressão que o tempo marco no meu rosto é aquela do meu sorriso silencioso. Aquele sorriso que eu tenho nos lábios quando me dou conta que tenho uma pessoa maravilhosa ao meu lado, ou quando vejo uma criancinha descobrindo algo fabuloso.
Até agora o tempo foi generoso comigo. Ao invés de mostar o meu cenho, mostro o meu lado mais doce.

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