quinta-feira, 5 de março de 2009

Na estação

Quem pega metrô com frequência sabe que muita gente acaba namorando nas estações, quase como se fossem praças do interior. A maioria são daqueles casais que moram longe um do outro, cansados e já sem tanta vontade de desviar do caminho e arranjar um programinha. Mas como não pede RG, custa 2,40 acontece também de um ou outro casal de adolescentes aparecer por lá.
E eu ouvi um grito que só garotas entre 12 e 18 anos são capazes de emitir. Agudos, longos e irritantes. Com ódio no coração eu me virei. Era uma garota que se despedia do namorado, tinha ao lado o irmão mais novo que a puxava lembrando que o tempo não havia parado.
Meu ódio se desfez. Era claramente seu primeiro namorado. Pela presença do irmão, por uma ridícula corrida por mais um último beijo depois que o irmão já estava na catraca. Foi quando me dei conta que o primeiro namorado pode não ser o mais importante, aquele amor pra vida toda. Mas é a primeira vez que a gente sente um frio na barriga gostoso, um olhar a milímetros de distância....
Não há como se irritar com a falta de compostura de quem vive um primeiro amor.

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