sexta-feira, 25 de julho de 2008

A solidão sem metafísica

Se existe alguma certeza nesse mundo é a morte, apesar disso passamos a maior parte do tempo como se nós tivessemos ainda muito anos e somos surpreendidos por sua chegada. No entanto, quando todas as pessoas com quem se conviveu na sua juventude estão debaixo da terra há uma percepção muito mais clara da morte e da solidão que nos ronda.
Imagine como deve ser duro um mundo onde não se tem mais os irmãos, o cônjuge, os amigos da mocidade. Minha bisavó tinha muito medo da morte e, no entanto, quando morreu aos 104 ela já incluia nas suas orações um pedido para que deus a levasse, nós sabiamos disso por causa da sua surdez que fazia com que suas preces fossem ouvidas também por nós. O que tinha mudado era o mundo a sua volta, onde a sua caçula já tinha mais de 60 as coisas não funcionavam como antes e não havia a certeza se teria alguém com saúde para continuar cuidando dela.
O que me fez lembrar disso foi a morte de um homem que eu nem conheço. Ele era o último elo que uma senhora adorável com seu tempo de juventude. Agora toda aquela lembrança só existe na cabeça dela, sem ninguém para confirmar datas e fatos familiares. E foi só por isso que a morte de um homem de 97 anos me trouxe a sensação de solidão.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Botulismo

Vira e mexe dando uma zapiada eu me deparo com aqueles filmes de... errr ação em que um cara só salva o mundo. Esses fortões são ídolos de muito marmanjo que adora as cenas de lutas, explosões e que tais. Mas até esses homens de aço se renderam ao botox e ficaram parecendo umas velhinhas esquisitonas. O resultado na foto abaixo.

O Exterminador Esticado e Stalonge da Juventude

terça-feira, 1 de julho de 2008

Enquanto o mundo não se acaba

O samba tem alguma coisa que mexe comigo. Enquanto cozinhava minha vó tinha o hábito de cantorolar, hoje é difícil vê-la cantando assim mas eu acabei aprendendo umas musiquinhas da primeira metade do séc. XX. Foi assim que conheci gravações de Carmem Miranda. E quando eu tinha uns seis anos a Folhinha tinha uma matéria sobre Assis Valente, que compôs "(Tá ahí) Pr'a você gostar de mim" e é autor da música natalina mais linda e triste que eu conheço ("Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel/ Bem assim felicidade, eu pensei que fosse uma brincadeira de papel ").

Como ele dá nome a rua onde eu morava eu acabei tendo um interesse meio engraçado pela vida dele. Acabei tropeçando em "...E o mundo não se acabou" gravado por Carmem Miranda em 1938, mas que ainda hoje esbanja um frescor de deixar muita música moderninha no chinelo.