A gente estudou na mesma escola durante todo o colegial. Mas eu nunca o tinha visto, juro. Foi na viagem de formatura que eu descobri sua existência e percebi que tinha perdido a chance de ter uma pessoa super divertida na minha vida se olhasse um pouco mais pro resto do pátio.
Eu só o reencontrei numa comunidade do JUCA. Parece que nossos destinos só se cruzam quando ultrapassamos a barreira da realidade. Guardadas as devidas proporções entre um evento e outro, são os momentos de insanidade de todo jovem estudante. Como a faculdade exige mais de nós, seus momentos de exorcismo são mais regulares e acontecem uma vez por ano.
Bom, mas o Júnior é especial por entre todas as loucuras ter me feito enxergar como é dura a vida do sexo oposto. Numa balada, enquanto a gente dançava ele fez a pergunta que mudaria a forma como eu enxergaria os homens, quem sabe de maneira definitiva.
Estavamos dançando numa rodinha onde ele era o único homem. A cada instante vinha um rapaz, geralmente pedindo permissão ao Júnior, e chavecava uma moçoila. A nós cabia aceitar ou recusar o rapazote de acordo com a nossa vontade. Eis que com a auto-estima cabisbaixa ele nos pergunta a queima-roupa "eu sou feio?". Depois de negarmos que ele fosse esteticamente prejudicado o rapaz explicou o que se passava em sua triste cabecinha. É que todas nós já tinhamos sido chavecadas mais de uma vez, e só ele não tinha feito nenhuma jovem se deslocar em nossa direção.
Foi ai que eu saquei, mesmo não sendo ganhadora de nenhum concurso de beleza, todas nós tinhamos a chance de sair e perceber claramente o interesse de um carinha vez por outra. Bastava se produzir e sair. Agora por quanto tempo um homem comum pode fica se arrumando sem conseguir ouvir uma cantada boba que seja?
Ai, ai. Eu prefiro ficar procurando celulite com lupa. É muito sofrimento!
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário