terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Lôko, lôko, lôko

Eu estava indo pra faculdade. Um pouco atrasada, vindo pela Brigadeiro rumo à Paulista. Comecei a ouvir uns sons de bateria de escola de samba, mas o Carnaval já havia acabado. Só quando já estava quase de frente à faculdade me dei conta de que aquele som era da bateria casperiana. Era o trote nosso de cada ano.
Eu sabia que ia ter que passar por um multidão de “bixos” imundos mas iria encontrar no meio daquele mar algumas figurinhas conhecidas, dar abraços, conversar um pouco e me sentir parte daquele universo coberto de guache. Mas percebi que qualquer dia nos próximos anos eu posso estar passando por ali enquanto os veteranos pintam calouros e calçadas e por mais que eu tente não vou encontrar ninguém a quem possa abraçar e vou me sentir expulsa daquela farra.
Vai doer, ou melhor, já está doendo. Se o começo de qualquer coisa é expectativa, medo de não dar certo o fim é retrospectiva. Olhar e ver o que a gente queria quando começou, se dar conta de forma mais nítida das mudanças ocorridas e se surpreender com o que descobrimos de nós mesmos. E as brigas, as farras, os desesperos se unem numa mesma caixa de lembranças que vez por outra vai se abrir.

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