sábado, 26 de janeiro de 2008

Números

Até a 6ª série eu era boa aluna de matemática. Mas sabe como é a puberdade, troquei os cálculos de área pelos testes da Capricho. E depois disso as únicas coisas que gravei foram as fórmulas de Delta e Báscara.
Na verdade todo meu problema vinha de antes, quando eu comecei a decorar a tabuada. Eu não sei porque razão quando estava aprendendo enfiei na cabeça uma história sobre os números. Na minha cabeça enquanto decorava a tabuada do 2 e do 3 encasquetei que o dois era um número legal e sensato, enquanto o três era um mimadinho que vivia correndo atrás do nove e desprezava o seis que tentava ser seu amiguinho.
Bom foi assim que decorei que 2X3 = 6, porque o dois forçava o 3 a brincar com o seis. Mas que 3X3=9, porque quando só tinha três ele não queria brincar com o seis e partia rumo ao novo.

Agora imagina se alguém com essa linha de raciocínio podia virar engenheira? Na verdade nem mecher com o próprio dinheiro, mas enquanto não interditam...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

São Paulo, meu amor

Não, ela não é uma cidade pacata, nem é cheia de belezas naturais e nem um exemplo de organização urbana. Mas eu gosto dela. Gosto de poder me perder por ela, de andar com os olhos marejados por ter perdido uma coisa boba que eu amo e ninguém me parar perguntando quem morreu. Posso ser mais um e chorar minhas bobagens ou minhas grandes dores sem que me façam perguntas. E também me deparar com a delicadeza de desconhecidos que me fazem acreditar um pouco mais no gênero humano.
E qualquer cidade onde a gente tem um amigo, um amor, nunca é apenas uma urbe. Imagine nessa onde está a maior parte deles.

Quando eu morrer quero ficar
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.”

Mário de Andrade

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Vida dos otô - Parte I

Estava eu numa loja de departamentos tentando encontrar uma Havaianas meu número numa cor legal e duas funcionárias da loja ao lado da prateleira. Número 40 vermelha, 37 rosa, e as duas matraqueando. Não que eu precisasse da ajuda das duas para escolher um misero chinelo, mas elas podiam me poupar de ouvir o histórico amoroso de um casal de namorados. Fiquei tão constrangida que saí antes de escolher o chinelo e escutar detalhes piores.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Madorna*

Eu tenho o péssimo hábito de dormir vendo televisão e nem sempre programo para desligar. E estudei durante looongos anos pela manhã, o que me levou há ter sempre um despertar lá pelas seis da madruga, mesmo que eu possa dormir um pouco mais. Como a TV fica ligada eu acabo ouvindo o Telecurso enquanto estou naquela situação de zumbi. Acontece que o som acaba invadido os meus sonhos e no meio de uma história surreal aparece fórmulas matemáticas que estão sendo ensinadas na TV. Quando eu acordo lá pelas seis eu ainda lembro a fórmula de volume da pirâmide hexagonal, mas vou a dormir e esqueço. Uma pena, seria uma ótima maneira de estudar sem ter de carregar olheiras de brinde.
*Estado de sonolência, em que se fica entre acordado e dormindo

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

:-)

Algumas pessoas não são propriamente "amigos", mas estão longe de serem meros conhecidos. É gente por quem se nutre uma empatia besta, meio gratuita. É basicamente um eu-gosto-de-você reciproco e nada mais, nada de grandes conversas sobre os segredos do universo e nem confissões.
E não é que encontra com uma desssas pessoas assim, de bobeira deixa a gente feliz? Abraçar, desejar um Ano Bom sincero e só. E é voltar para casa com aquela certeza de que, sim, o ano vai ser bom.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Eu-vidente

Eu sempre tive a pretensão de tentar conhecer bem as pessoas que estão por perto, tentar saber do que elas seriam capazes, quais são seus verdadeiros valores. Coisa de menina boba e pretensiosa, é verdade.
Ai, um dia você acha que já conhece alguém e acaba surpreendida com o que está por trás daquilo que achava que conhecia. E isso magoa e também fere seu orgulho bobo, te faz um pouco mais humilde.
Um dia essa mesma pessoa age exatamente como você previu. E ai você não sente nenhum orgulho de ter previsto aquele movimento, ao invés disso vem uma tristeza. A tristreza de não poder mudar nada só porque sabia que seria assim.