Não sei como surgiu, mas em algum momento da história contemporânea as pessoas passaram a acreditar que era cool, descolado, prafrentex e tudo mais ser grosseiro.
Você não irá se transformar no exemplo maior da modernidade ao rosnar pro vizinho. Pense bem, minha cachorrinha não é um poço de modernidade e sabe rosnar. É claro que tem dias ruins na sua vida, mas por que o resto da humanidade tem que pagar por isso?
Pense como seria mais civilizado (e hipermoderno) se os humanos usassem a buzina com moderação, as lojas não colocassem o som no talo e o tratamento cheio de estupidez fosse uma exceção que acontecesse apenas uma ou duas vezes na vida...
Confesso, que as vezes eu falo mais palavrão do que deveria mas quase nunca eles tem um sentido ofensivo. Funcionam como uma exclamação. Quanto as minhas próprias grosserias elas acontecem, mas são motivo de vergoha e não de orgulho
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Com K e dois L
Há muito tempo que os nomes das pessoas na nossa cultura não estão ligados a características físicas ou psicológicas. Portanto, na hora de dar um nome aos filhos a maioria dos pais costuma escolher entre aqueles que fazem sucesso no momento. E ai são levas de crianças numa mesma sala de aula com um prenome em comum.
Já sai acompanhada de 3 Julianas, estudei de uma única vez com 5 Thiagos, e por ai vai...
Mas Camila eu só tive uma na minha sala na pré-escola e outra de outra turma no colegial. As outras eram sempre 2 ou 3 anos mais velhas. E isso me dava sempre a sensação de ter vindo ao mundo um pouco atrasada, usando tendência do verão passado.
Ando pelas ruas e vejo agora várias mães gritando desesperadas para suas filhotas de quatro anos. Elas se chamam Camila e eu me sinto vanguarda.
Já sai acompanhada de 3 Julianas, estudei de uma única vez com 5 Thiagos, e por ai vai...
Mas Camila eu só tive uma na minha sala na pré-escola e outra de outra turma no colegial. As outras eram sempre 2 ou 3 anos mais velhas. E isso me dava sempre a sensação de ter vindo ao mundo um pouco atrasada, usando tendência do verão passado.
Ando pelas ruas e vejo agora várias mães gritando desesperadas para suas filhotas de quatro anos. Elas se chamam Camila e eu me sinto vanguarda.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Era ele
Gosto da sua indisciplina tática,da sua mordida
Porque gosto até daquela tira de couro?
Que só serve para me lembrar a seleção Argentina
Seu humor e a maneira de acolher o sujo a nossa mesa
Porque até isso me encanta?
Mas é bom ter uma amizade baseada em risadas,
pedaços de versos, mordidas, olhares.
Porque gosto até daquela tira de couro?
Que só serve para me lembrar a seleção Argentina
Seu humor e a maneira de acolher o sujo a nossa mesa
Porque até isso me encanta?
Mas é bom ter uma amizade baseada em risadas,
pedaços de versos, mordidas, olhares.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
A Vila - parte I
Não tem nem 20 anos, o comércio no bairro fechava na sexta-feira a noite, só a padaria ficava aberto no sábado e no domingo até a hora do almoço. As farmácias se revesavam em regime de plantão. Todo mundo sabia quem era o dono da supermercado e a rua onde morava. É estranho ver que hoje tudo funciona normalmente no sábado e muitas lojas fecham só depois do almoço no domingo. As farmácias? Chegaram algumas de grandes redes que funcionam igualzinho nos sete dias das semanas. E o dono do supermercado mora a uns bons km daqui.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
A mulher de tranças longas
Eu desço do ônibus e de repente me lembro que ela mora ali perto. Talvez esteja só há alguns metros de distância e eu olho procurando algum sinal em meio aqueles milhares de prédios padronizados que indique a determinação infrutífera daquela mulher.
Eu, sem um décimo de sua convicção, respiro e carrego os pesos dos meus ossos sem dificuldades. Sigo com a sensação de que a vida não é justa e que não haverá sinal no ar da grande batalha que se trava. Desapareceremos. Mas ela resiste e eu, como não creio, torço.
Eu, sem um décimo de sua convicção, respiro e carrego os pesos dos meus ossos sem dificuldades. Sigo com a sensação de que a vida não é justa e que não haverá sinal no ar da grande batalha que se trava. Desapareceremos. Mas ela resiste e eu, como não creio, torço.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Para ler ouvindo:
A revista da MTV tinha no canto superior da página a indicação de uma música para ouvir enquanto se lia a matéria. Pois que eu estava lendo sobre a crise e seus desdobramentos. No fone tocava Boato com Elza Soares. Taí, se a MTV continuasse sugerindo música para acompanhar a leitura de seus textos já teria a trilha para a quebra dos bancos.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
LHC e o fim do mundo

Teve cientista que tentou avisar que essa história de tentar recriar o Big Bang podia gerar um buraco negro capaz de destruir a Terra. Ninguém deu ouvidos e já aparece o primeiro sinal de que o fim está muito, muito próximo. Qualquer reclamação sobre o "CD" pode ser feita com um bando de cientistas ali na Suíça, ok?
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celebridades estranhas,
Começos e recomeços
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A arte de perder
A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.
Elizabeth Bishop-tradução de Paulo Henrique Brito
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
terça-feira, 2 de setembro de 2008
De onde vêm os cabelos brancos
Até hoje nunca encontrei ninguém que discordasse de mim em um ponto. Nossa noção de envelhecimento se dá pelo contato com os outros. Explicando melhor, nada torna mais concretra a passagem do tempo que olhar aquele com barba na cara e ver que ele era aquele bebezinho que se pegou no colo com poucos dias de vida.
Quando eu era pequetitica eu ficava admirada com as pessoas que falavam "ah, eu conheço Fulano faz bem uns 10 anos". Como era possível? E os velhinhos que diziam que, putaquepariu!, conheciam-se a 3 décadas quando eu nem conseguia mesurar essa quantidade absurda de tempo. E um dia a gente se dá conta que já tem algumas amizades com mais de uma década e parece tão pouco. É ai nesses assombro que o corpo enverga e a pele enruga.
Quando eu era pequetitica eu ficava admirada com as pessoas que falavam "ah, eu conheço Fulano faz bem uns 10 anos". Como era possível? E os velhinhos que diziam que, putaquepariu!, conheciam-se a 3 décadas quando eu nem conseguia mesurar essa quantidade absurda de tempo. E um dia a gente se dá conta que já tem algumas amizades com mais de uma década e parece tão pouco. É ai nesses assombro que o corpo enverga e a pele enruga.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Me explica?
Não teve jeito, acabei assistindo a Olímpiada durante a mdrugada. O Brasil foi um fiasco, conforme o esperado. Mas o que eu não consigo enteder é o furdunço causado pelo fato da gente não ser assim... uma potência olímpica.
Alguém me explica porque eu devo ter perdido alguma coisa. O ensino brasileiro tem um desempenho pífio (e em ranking de educação a gente não descola nem as desprezadas medalhas de bronze), a saúde pública é um deusnosacuda, as nossas cidades não costumam pensar em áreas de lazer e o saneamento básico ainda é um luxo em boa parte do país. Mas o nosso grande problema é que o Ouuuuuuuuuuuuuro do Brasil-il-il só acontece por mérito exclusivo do atleta? Ah, tá.
O pior é que colocam um monte de dinheiro PÚBLICO no esporte profissional, pena que ele seja atraído para as cartolas de senhores sedentários.
Alguém me explica porque eu devo ter perdido alguma coisa. O ensino brasileiro tem um desempenho pífio (e em ranking de educação a gente não descola nem as desprezadas medalhas de bronze), a saúde pública é um deusnosacuda, as nossas cidades não costumam pensar em áreas de lazer e o saneamento básico ainda é um luxo em boa parte do país. Mas o nosso grande problema é que o Ouuuuuuuuuuuuuro do Brasil-il-il só acontece por mérito exclusivo do atleta? Ah, tá.
O pior é que colocam um monte de dinheiro PÚBLICO no esporte profissional, pena que ele seja atraído para as cartolas de senhores sedentários.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Idade é uma merrrrda
situação 1 - Uma pessoa precisa comprar um remédio porque está quase chorando de dor. Vai até a farmácia e não lembra o nome da droga.
situação 2 - A pessoa troca a senha do e-mail. No dia seguinte não lembra a senha e fica uma semana tentando descobrir a resposta da pergunta secreta/enchendo o google pra conseguir alterar a senha pelo e-mail secundário.
situação 3 - Conversando com outra pessoa não lenbra o nome de um livro que comprou não tem um mês, nem da livraria e nem mesmo o nome da cantora que anda ouvindo sem parar.
E a pessoa tem quantos anos? Tipo assim, fez 23 .... errr... quando mesmo?
situação 2 - A pessoa troca a senha do e-mail. No dia seguinte não lembra a senha e fica uma semana tentando descobrir a resposta da pergunta secreta/enchendo o google pra conseguir alterar a senha pelo e-mail secundário.
situação 3 - Conversando com outra pessoa não lenbra o nome de um livro que comprou não tem um mês, nem da livraria e nem mesmo o nome da cantora que anda ouvindo sem parar.
E a pessoa tem quantos anos? Tipo assim, fez 23 .... errr... quando mesmo?
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Era mais fácil quando era p&b
As pessoas eram boas ou más. De repente não há bons nem maus.
Pense na pessoa mais boazinha que você conhece. Sinto informar que ela teve uma atitude desprezível dia desses. Mas ai a gente pode dizer que foi enganado por um ser tão maquiavélico que conseguiu durante tanto tempo se passar por santo. Duro mesmo é saber que o maior escroque que se tem notícia é capaz de um gesto benigno sem qualquer interesse.
Descobrir que o mundo tem várias tonalidades é mais devastador que descobrir que Papai-Noel é só um velhinho tentando descolar um troco no Natal.
Pense na pessoa mais boazinha que você conhece. Sinto informar que ela teve uma atitude desprezível dia desses. Mas ai a gente pode dizer que foi enganado por um ser tão maquiavélico que conseguiu durante tanto tempo se passar por santo. Duro mesmo é saber que o maior escroque que se tem notícia é capaz de um gesto benigno sem qualquer interesse.
Descobrir que o mundo tem várias tonalidades é mais devastador que descobrir que Papai-Noel é só um velhinho tentando descolar um troco no Natal.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
A solidão sem metafísica
Se existe alguma certeza nesse mundo é a morte, apesar disso passamos a maior parte do tempo como se nós tivessemos ainda muito anos e somos surpreendidos por sua chegada. No entanto, quando todas as pessoas com quem se conviveu na sua juventude estão debaixo da terra há uma percepção muito mais clara da morte e da solidão que nos ronda.
Imagine como deve ser duro um mundo onde não se tem mais os irmãos, o cônjuge, os amigos da mocidade. Minha bisavó tinha muito medo da morte e, no entanto, quando morreu aos 104 ela já incluia nas suas orações um pedido para que deus a levasse, nós sabiamos disso por causa da sua surdez que fazia com que suas preces fossem ouvidas também por nós. O que tinha mudado era o mundo a sua volta, onde a sua caçula já tinha mais de 60 as coisas não funcionavam como antes e não havia a certeza se teria alguém com saúde para continuar cuidando dela.
O que me fez lembrar disso foi a morte de um homem que eu nem conheço. Ele era o último elo que uma senhora adorável com seu tempo de juventude. Agora toda aquela lembrança só existe na cabeça dela, sem ninguém para confirmar datas e fatos familiares. E foi só por isso que a morte de um homem de 97 anos me trouxe a sensação de solidão.
Imagine como deve ser duro um mundo onde não se tem mais os irmãos, o cônjuge, os amigos da mocidade. Minha bisavó tinha muito medo da morte e, no entanto, quando morreu aos 104 ela já incluia nas suas orações um pedido para que deus a levasse, nós sabiamos disso por causa da sua surdez que fazia com que suas preces fossem ouvidas também por nós. O que tinha mudado era o mundo a sua volta, onde a sua caçula já tinha mais de 60 as coisas não funcionavam como antes e não havia a certeza se teria alguém com saúde para continuar cuidando dela.
O que me fez lembrar disso foi a morte de um homem que eu nem conheço. Ele era o último elo que uma senhora adorável com seu tempo de juventude. Agora toda aquela lembrança só existe na cabeça dela, sem ninguém para confirmar datas e fatos familiares. E foi só por isso que a morte de um homem de 97 anos me trouxe a sensação de solidão.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Botulismo
Vira e mexe dando uma zapiada eu me deparo com aqueles filmes de... errr ação em que um cara só salva o mundo. Esses fortões são ídolos de muito marmanjo que adora as cenas de lutas, explosões e que tais. Mas até esses homens de aço se renderam ao botox e ficaram parecendo umas velhinhas esquisitonas. O resultado na foto abaixo.

O Exterminador Esticado e Stalonge da Juventude
O Exterminador Esticado e Stalonge da Juventude
terça-feira, 1 de julho de 2008
Enquanto o mundo não se acaba
O samba tem alguma coisa que mexe comigo. Enquanto cozinhava minha vó tinha o hábito de cantorolar, hoje é difícil vê-la cantando assim mas eu acabei aprendendo umas musiquinhas da primeira metade do séc. XX. Foi assim que conheci gravações de Carmem Miranda. E quando eu tinha uns seis anos a Folhinha tinha uma matéria sobre Assis Valente, que compôs "(Tá ahí) Pr'a você gostar de mim" e é autor da música natalina mais linda e triste que eu conheço ("Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel/ Bem assim felicidade, eu pensei que fosse uma brincadeira de papel ").
Como ele dá nome a rua onde eu morava eu acabei tendo um interesse meio engraçado pela vida dele. Acabei tropeçando em "...E o mundo não se acabou" gravado por Carmem Miranda em 1938, mas que ainda hoje esbanja um frescor de deixar muita música moderninha no chinelo.
Como ele dá nome a rua onde eu morava eu acabei tendo um interesse meio engraçado pela vida dele. Acabei tropeçando em "...E o mundo não se acabou" gravado por Carmem Miranda em 1938, mas que ainda hoje esbanja um frescor de deixar muita música moderninha no chinelo.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Precisando de colo
Eu sou um animal arredio. Não por acaso meu livro preferido já há algum tempo é Memórias do Cárcere. A sensação de deslocamento, a sensação estranha sobre a solidariedade que ele descobre dentro da prisão e que mais que confortá-lo, incomoda. De alguma maneira as impressões pessoais tiveram algo de revelador sobre mim.
Isso não quer dizer que eu não preciso de colo, de carinho. Na verdade é muito bom saber que as pessoas de alguma maneira se importam com a minha felicidade. É que ainda não sei como agradecer.
Isso não quer dizer que eu não preciso de colo, de carinho. Na verdade é muito bom saber que as pessoas de alguma maneira se importam com a minha felicidade. É que ainda não sei como agradecer.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
Um Mc padrãozinho
Quando eu era pequena e visitava o trabalho da minha mãe, invariavelmente eu comia no McDonald´s da Liberdade. Além dos brinquedinhos que tinham no McLanche Feliz ainda havia na fachada e no cardápio exposto na parede a versão escrita em ideogramas. Era o que completava o ar diferente do bairro, que bem no centro de São Paulo tinha um monte de velhinhos que não falavam quase nada de português, poste de iluminação que não pareciam em nada com os dos outros lugares, onde se podia achar em qualquer loja os farelos de trigo do meu avô.
Esse dias eu passei por lá e o nome da lanchonete estava grafado apenas na forma ocidental. Deu raiva. E olha que estão fazendo o maior auê por causa do centenário da imigração japonesa.
Tudo bem que podia ter só aquele M estilizado pra que boa parte da humanidade saberia onde estava entrando. Mas quem foi que disse que só o que é útil que é importante?
Esse dias eu passei por lá e o nome da lanchonete estava grafado apenas na forma ocidental. Deu raiva. E olha que estão fazendo o maior auê por causa do centenário da imigração japonesa.
Tudo bem que podia ter só aquele M estilizado pra que boa parte da humanidade saberia onde estava entrando. Mas quem foi que disse que só o que é útil que é importante?
segunda-feira, 16 de junho de 2008
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Porque era ele, porque era ela
Um livro pra matar o tempo. Nem tinha reparado no casalsinho que estava sentado do meu lado. De repente eu ouço ele falar com um arzinho de superioridade: "mas a palavra existe antes da internet, o que quer dizer? Você precisa saber o que significa!" Não me contive e fingi que olhava para o lado na esperança de chegar alguém, só para ver se era mesmo um carinha novinho com uma garota. Bingo!
O livro com uma história meio mais ou menos, e aquele clássico diálogo do cara que tenta impressionar a moçoila com um intelecto que não tem. Resolvi canalisar minha atenção para a conversinha, apenas acompanhando as letras do papel.
Bom, parece que ele é inteligente. Não sabe explicar como o Eugênio o que é virtual, era essa a palavra da qual pedia o significado, mas entende o conceito. Isso me causa uma dúvida. Eu sempre foi contra qualquer mulher dar um pouco de amor a esses individuos que tentam nos impressionar contando como funciona o mundo porque eles além de usarem a mesma historinha sempre ainda apresentam uma coisa, tipo assim, mó errada. Agora será que ele merecia que ela o amasse por, pelo menos, saber sobre o que estava falando?
Eu fiquei pensando, esse tipo de cara sempre sabia menos do que eu e era metido a espertão, era normal que eu não os quisesse até por respeito a minha inteligência. Imagina dar bola para um cara cara que além de me achar burra ainda usa disso pra dar uns amassos. Mas será que quando ele sabe o que está dizendo, se deve dar uma chance? E fiquei esperando que ela resolvesse, mas foram embora antes que eu tivesse uma resposta.
O livro com uma história meio mais ou menos, e aquele clássico diálogo do cara que tenta impressionar a moçoila com um intelecto que não tem. Resolvi canalisar minha atenção para a conversinha, apenas acompanhando as letras do papel.
Bom, parece que ele é inteligente. Não sabe explicar como o Eugênio o que é virtual, era essa a palavra da qual pedia o significado, mas entende o conceito. Isso me causa uma dúvida. Eu sempre foi contra qualquer mulher dar um pouco de amor a esses individuos que tentam nos impressionar contando como funciona o mundo porque eles além de usarem a mesma historinha sempre ainda apresentam uma coisa, tipo assim, mó errada. Agora será que ele merecia que ela o amasse por, pelo menos, saber sobre o que estava falando?
Eu fiquei pensando, esse tipo de cara sempre sabia menos do que eu e era metido a espertão, era normal que eu não os quisesse até por respeito a minha inteligência. Imagina dar bola para um cara cara que além de me achar burra ainda usa disso pra dar uns amassos. Mas será que quando ele sabe o que está dizendo, se deve dar uma chance? E fiquei esperando que ela resolvesse, mas foram embora antes que eu tivesse uma resposta.
domingo, 4 de maio de 2008
Centímetros
Uma matéria sobre cirurgia plástica numa revista. Coisa banal nos dias de hoje se não fosse um detalhe: a mudança era na genitália feminina. Parece que ao contrário dos superdotados masculinos as moças não ficam muito felizes. E era um tal de histórias de mulheres que eram casadas à décadas mas que só faziam sexo no escuro por vergonha de uns centímetros, que não permitiam serem tocadas na região...
Na adolescência, como todas as outras partes do corpo, eu já achei que a minha devia ser um pouco maior ou menor. Passou, mas tudo bem que não passe pra todas, talvez um dia eu também queira tirar ou colocar alguma coisa. O pequeno detalhe é que nessa de reduzir os pequenos e grandes lábios a mulherada corre o risco de perder a sensibilidade do local, nada que as faça mudar de idéia.
Mundo estranho esse em que mulheres ainda preferem parecer perfeitas e cheias de desejos que serem imperfeitas e terem desejos. Será que os homens entrariam numa dessas?
Na adolescência, como todas as outras partes do corpo, eu já achei que a minha devia ser um pouco maior ou menor. Passou, mas tudo bem que não passe pra todas, talvez um dia eu também queira tirar ou colocar alguma coisa. O pequeno detalhe é que nessa de reduzir os pequenos e grandes lábios a mulherada corre o risco de perder a sensibilidade do local, nada que as faça mudar de idéia.
Mundo estranho esse em que mulheres ainda preferem parecer perfeitas e cheias de desejos que serem imperfeitas e terem desejos. Será que os homens entrariam numa dessas?
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Tic-tac
Acordar, colocar um sorriso no rosto e sair para o mundo é difícil. Voltar para casa, ficar sem platéia e cara à cara com o que se sente é muito pior.
E o tempo só torna mais claro que as nossas escolhas não podem ser jogadas nas costas de ninguém. Quem disse que era moleza crescer ou que era divertido?
E o tempo só torna mais claro que as nossas escolhas não podem ser jogadas nas costas de ninguém. Quem disse que era moleza crescer ou que era divertido?
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Vivendo em meio a terremotos
Em alguns momentos não existe dor, nem alegria, nem desespero. Só um estranhamento com relação à vida, ao mundo. A sensação de vazio que só pode ser traduzida por Arnaldo Antunes. É a tentiva de sobreviver...
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada
terça-feira, 22 de abril de 2008
Estranhezas
O metrô anda mais cheio, são 9 (!) pessoas por metrô quadrado, quando seria permitido 6 pra ser um lugar confortável. Pera lá, nessas contas se meu quarto fosse o metrô hoje teriam 146 pessoas por lá nos horários de pico e só deviam ter 46! Eu não sei qual é a idéia de conforto deles...
Eu não vi nenhuma matéria criticando o gás de pimenta no vestiário dos visitantes e nem o "apagão" pra lá de estranho depois que o Palmeiras fez 2x0. Deveria ao menos receber uma punição e tirar do Palmeiras a chance de jogar no Palestra. Quando a gente não sabe cuidar da festa em casa, ou usamos isso para prejudicar os demais...
Eu não vi nenhuma matéria criticando o gás de pimenta no vestiário dos visitantes e nem o "apagão" pra lá de estranho depois que o Palmeiras fez 2x0. Deveria ao menos receber uma punição e tirar do Palmeiras a chance de jogar no Palestra. Quando a gente não sabe cuidar da festa em casa, ou usamos isso para prejudicar os demais...
sábado, 5 de abril de 2008
Mas só depois que a saudade se afastou de mim
O passado é uma coisa esquisita, a gente espreme a cabeça numa tentativa desesperada de arrancá-lo do presente e parece que todos os esforços só o torna ainda mais fixo. Cansada, desiludida de tanta luta vã eu aceito vislumbrar em cada mínima coisa uma lembrança. Ai, já me dando por vencida tento ocupa meus dias. E o evento maior desse passado passa despercebido entre as preocupações das atividades secundárias, e só me dou conta dias depois.
E não há angústia, nem vazio. Só a estranha sensação de que o tempo colocou as coisas num lugar mais definitivo, com a serenidade merecida.
E não há angústia, nem vazio. Só a estranha sensação de que o tempo colocou as coisas num lugar mais definitivo, com a serenidade merecida.
sábado, 29 de março de 2008
quarta-feira, 26 de março de 2008
Queridos Amigos
A minissérie está na reta final e cada segundo que eu perco me dá dor no coração. Não só porque eu gosto do trabalho, mas porque aquilo tudo é quase uma sessão de análise pra mim. Eu tinha mais ou menos a idade do gêmeos, já que sou de 85 e tinha meus quatro aninhos.
Eu confesso que fiquei espantada com a minha idade, porque as minhas lembranças dessa época são muito "adultas". Eu lembro claramente do showmicío do Lula que eu fui num dia de São Cosme e Damião junto com meus tios, meu irmão e minha prima, que fazendo uma comnta rápida tinham: 2 anos! Sim, minha família achava tão importante tudo isso que levou a gente pra ver o Barbudão quando a gente nem tinha entrado na escola.
Na telinha eu vejo o mesmo desencantamento que a geração de 68 empurrou pra mim, sendo dada a cada segundo aos filhos deles. E como demorou até eu parar de desejar ter tido a sorte de ser jovem naqueles tempos e nem me dei conta que eles também estavam fazendo os anos 80, só que cheios de saudosismo.
Mas também vejo aquele grupo de amigos reunidos apesar das diferenças, pelo simples fato de se quererem bem. Aquela coisa boa de ter dentro da sua família alguns membros escolhidos apenas pelo afeto.
Pena que os meninos não usem conjutinho de plush. Era a melhor roupa que uma criança poderia querer.
Eu confesso que fiquei espantada com a minha idade, porque as minhas lembranças dessa época são muito "adultas". Eu lembro claramente do showmicío do Lula que eu fui num dia de São Cosme e Damião junto com meus tios, meu irmão e minha prima, que fazendo uma comnta rápida tinham: 2 anos! Sim, minha família achava tão importante tudo isso que levou a gente pra ver o Barbudão quando a gente nem tinha entrado na escola.
Na telinha eu vejo o mesmo desencantamento que a geração de 68 empurrou pra mim, sendo dada a cada segundo aos filhos deles. E como demorou até eu parar de desejar ter tido a sorte de ser jovem naqueles tempos e nem me dei conta que eles também estavam fazendo os anos 80, só que cheios de saudosismo.
Mas também vejo aquele grupo de amigos reunidos apesar das diferenças, pelo simples fato de se quererem bem. Aquela coisa boa de ter dentro da sua família alguns membros escolhidos apenas pelo afeto.
Pena que os meninos não usem conjutinho de plush. Era a melhor roupa que uma criança poderia querer.
quarta-feira, 19 de março de 2008
É tanta alegria...
Eu tenho muita dó de quem alardeia a própria felicidade. Não porque a alegria alheia me incomoda, mas porque quanto ela é gritada na cara da gente é muito provável que ela seja mais uma tentativa de provar para alguém que se está super-feliz-até-não-poder-mais depois que acabaram de destruir seus sonhos.
E ai a pessoa caí no ridículo porque é tanta a vontade de se mostrar refeito que em dois segundos qualquer pessoa percebe, mesmo que ela nem saiba direito para quem o ser quer provar que está saltitante. Ora, ora, quando a gente está mesmo feliz não fica perdendo o tempo dessa felicidade avisando a quem não está interessado.
Sei que é difícil não cair na tentação de querer descobrir como o outro vai reagir ao te ver tão feliz, mas acredite um pouco mais de discrição pode fazer com que até eu caia nessa conversa.
E ai a pessoa caí no ridículo porque é tanta a vontade de se mostrar refeito que em dois segundos qualquer pessoa percebe, mesmo que ela nem saiba direito para quem o ser quer provar que está saltitante. Ora, ora, quando a gente está mesmo feliz não fica perdendo o tempo dessa felicidade avisando a quem não está interessado.
Sei que é difícil não cair na tentação de querer descobrir como o outro vai reagir ao te ver tão feliz, mas acredite um pouco mais de discrição pode fazer com que até eu caia nessa conversa.
terça-feira, 18 de março de 2008
Homems, ô raça... sofrida!
A gente estudou na mesma escola durante todo o colegial. Mas eu nunca o tinha visto, juro. Foi na viagem de formatura que eu descobri sua existência e percebi que tinha perdido a chance de ter uma pessoa super divertida na minha vida se olhasse um pouco mais pro resto do pátio.
Eu só o reencontrei numa comunidade do JUCA. Parece que nossos destinos só se cruzam quando ultrapassamos a barreira da realidade. Guardadas as devidas proporções entre um evento e outro, são os momentos de insanidade de todo jovem estudante. Como a faculdade exige mais de nós, seus momentos de exorcismo são mais regulares e acontecem uma vez por ano.
Bom, mas o Júnior é especial por entre todas as loucuras ter me feito enxergar como é dura a vida do sexo oposto. Numa balada, enquanto a gente dançava ele fez a pergunta que mudaria a forma como eu enxergaria os homens, quem sabe de maneira definitiva.
Estavamos dançando numa rodinha onde ele era o único homem. A cada instante vinha um rapaz, geralmente pedindo permissão ao Júnior, e chavecava uma moçoila. A nós cabia aceitar ou recusar o rapazote de acordo com a nossa vontade. Eis que com a auto-estima cabisbaixa ele nos pergunta a queima-roupa "eu sou feio?". Depois de negarmos que ele fosse esteticamente prejudicado o rapaz explicou o que se passava em sua triste cabecinha. É que todas nós já tinhamos sido chavecadas mais de uma vez, e só ele não tinha feito nenhuma jovem se deslocar em nossa direção.
Foi ai que eu saquei, mesmo não sendo ganhadora de nenhum concurso de beleza, todas nós tinhamos a chance de sair e perceber claramente o interesse de um carinha vez por outra. Bastava se produzir e sair. Agora por quanto tempo um homem comum pode fica se arrumando sem conseguir ouvir uma cantada boba que seja?
Ai, ai. Eu prefiro ficar procurando celulite com lupa. É muito sofrimento!
Eu só o reencontrei numa comunidade do JUCA. Parece que nossos destinos só se cruzam quando ultrapassamos a barreira da realidade. Guardadas as devidas proporções entre um evento e outro, são os momentos de insanidade de todo jovem estudante. Como a faculdade exige mais de nós, seus momentos de exorcismo são mais regulares e acontecem uma vez por ano.
Bom, mas o Júnior é especial por entre todas as loucuras ter me feito enxergar como é dura a vida do sexo oposto. Numa balada, enquanto a gente dançava ele fez a pergunta que mudaria a forma como eu enxergaria os homens, quem sabe de maneira definitiva.
Estavamos dançando numa rodinha onde ele era o único homem. A cada instante vinha um rapaz, geralmente pedindo permissão ao Júnior, e chavecava uma moçoila. A nós cabia aceitar ou recusar o rapazote de acordo com a nossa vontade. Eis que com a auto-estima cabisbaixa ele nos pergunta a queima-roupa "eu sou feio?". Depois de negarmos que ele fosse esteticamente prejudicado o rapaz explicou o que se passava em sua triste cabecinha. É que todas nós já tinhamos sido chavecadas mais de uma vez, e só ele não tinha feito nenhuma jovem se deslocar em nossa direção.
Foi ai que eu saquei, mesmo não sendo ganhadora de nenhum concurso de beleza, todas nós tinhamos a chance de sair e perceber claramente o interesse de um carinha vez por outra. Bastava se produzir e sair. Agora por quanto tempo um homem comum pode fica se arrumando sem conseguir ouvir uma cantada boba que seja?
Ai, ai. Eu prefiro ficar procurando celulite com lupa. É muito sofrimento!
sábado, 15 de março de 2008
Escola com i
Quando você tem um sobrenome português e vive no Brasil não deveria ter grandes problemas com a grafia de seu nome. Não deveria. Nos últimos tempo tem gente escrevendo meu último nome de cada jeito, isso porque ele não permite nenhuma variação e não é nenhuma palavra de sonoridade esquisita.
Estamos fritos desse jeito, bom lembrar que esses que não conseguem grafar meu nome corretamente são aquelas crianças que chegaram a 4ª série sem saber lê porque o governo adotou uma pedagogia que a repetência afasta as crinças da escola. Passaram de ano de forma automática, e não receberam reforço ou orientação pedagogica para melhorem o rendimento. Agora estão trabalhando tendo dificulades até pra escrever uma palavrinha na língua-pátria. Grande presente, esse.
E nem adianta por a culpa na internet, que ela é mídia e não educador.
Estamos fritos desse jeito, bom lembrar que esses que não conseguem grafar meu nome corretamente são aquelas crianças que chegaram a 4ª série sem saber lê porque o governo adotou uma pedagogia que a repetência afasta as crinças da escola. Passaram de ano de forma automática, e não receberam reforço ou orientação pedagogica para melhorem o rendimento. Agora estão trabalhando tendo dificulades até pra escrever uma palavrinha na língua-pátria. Grande presente, esse.
E nem adianta por a culpa na internet, que ela é mídia e não educador.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Comunicação, ou não
Sabe o que é entrar num lugar onde não conhece ninguém e ficar achando que podem começar a chutar sua cabeça de uma hora para outra? E no meio da multidão surge, não o princípe encantado montado num cavalo, mas uma menina que não vai arrebata seu coração mas que parece não ter nenhuma vontade de chutar sua cabeça. O alívio de encontrar alguém que me inspirava confiança me fez conversar com essa menina, e desse encontro nasceu uma amiga.
Mas na última semana eu achei que estavamos, de forma involuntária, nos afastanto. E dói se sentir impotente diante da possibilidade de ficar mais distante. Porque tem certas situações que a gente sabe que não vai adiantar sentar para conversar, mas fica sem saber como agir.
Eis que no meio do inferno que está seu dia, a pessoa pede um segundo da sua atenção pra dizer uma coisa meio sem importância (mas que eu torço para que vire importante) só pelo prazer de dividir essa coisas com você. E quando você escuta e se dá conta que a pessoa parou, e te fez parar, tudo só para te contar uma coisa dessas você vê que esse afastamento só existe na sua cabeça maluca.
No máximo o que existe é falta de tempo que não permite que todo dia nós tenhamos uma conversa de horas sobre qualquer bobagem. Mas, quando acontece, é uma das melhores coisas que se pode fazer com os que parecem não ter tanta vontade d chutar sua cabeça.
Mas na última semana eu achei que estavamos, de forma involuntária, nos afastanto. E dói se sentir impotente diante da possibilidade de ficar mais distante. Porque tem certas situações que a gente sabe que não vai adiantar sentar para conversar, mas fica sem saber como agir.
Eis que no meio do inferno que está seu dia, a pessoa pede um segundo da sua atenção pra dizer uma coisa meio sem importância (mas que eu torço para que vire importante) só pelo prazer de dividir essa coisas com você. E quando você escuta e se dá conta que a pessoa parou, e te fez parar, tudo só para te contar uma coisa dessas você vê que esse afastamento só existe na sua cabeça maluca.
No máximo o que existe é falta de tempo que não permite que todo dia nós tenhamos uma conversa de horas sobre qualquer bobagem. Mas, quando acontece, é uma das melhores coisas que se pode fazer com os que parecem não ter tanta vontade d chutar sua cabeça.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Lôko, lôko, lôko
Eu estava indo pra faculdade. Um pouco atrasada, vindo pela Brigadeiro rumo à Paulista. Comecei a ouvir uns sons de bateria de escola de samba, mas o Carnaval já havia acabado. Só quando já estava quase de frente à faculdade me dei conta de que aquele som era da bateria casperiana. Era o trote nosso de cada ano.
Eu sabia que ia ter que passar por um multidão de “bixos” imundos mas iria encontrar no meio daquele mar algumas figurinhas conhecidas, dar abraços, conversar um pouco e me sentir parte daquele universo coberto de guache. Mas percebi que qualquer dia nos próximos anos eu posso estar passando por ali enquanto os veteranos pintam calouros e calçadas e por mais que eu tente não vou encontrar ninguém a quem possa abraçar e vou me sentir expulsa daquela farra.
Vai doer, ou melhor, já está doendo. Se o começo de qualquer coisa é expectativa, medo de não dar certo o fim é retrospectiva. Olhar e ver o que a gente queria quando começou, se dar conta de forma mais nítida das mudanças ocorridas e se surpreender com o que descobrimos de nós mesmos. E as brigas, as farras, os desesperos se unem numa mesma caixa de lembranças que vez por outra vai se abrir.
Eu sabia que ia ter que passar por um multidão de “bixos” imundos mas iria encontrar no meio daquele mar algumas figurinhas conhecidas, dar abraços, conversar um pouco e me sentir parte daquele universo coberto de guache. Mas percebi que qualquer dia nos próximos anos eu posso estar passando por ali enquanto os veteranos pintam calouros e calçadas e por mais que eu tente não vou encontrar ninguém a quem possa abraçar e vou me sentir expulsa daquela farra.
Vai doer, ou melhor, já está doendo. Se o começo de qualquer coisa é expectativa, medo de não dar certo o fim é retrospectiva. Olhar e ver o que a gente queria quando começou, se dar conta de forma mais nítida das mudanças ocorridas e se surpreender com o que descobrimos de nós mesmos. E as brigas, as farras, os desesperos se unem numa mesma caixa de lembranças que vez por outra vai se abrir.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Frase da semana
"Fiquei magoado, não por me teres mentido mas por não poder voltar a acreditar-te."
Nietzsche - Ele é o cara
Nietzsche - Ele é o cara
sábado, 26 de janeiro de 2008
Números
Até a 6ª série eu era boa aluna de matemática. Mas sabe como é a puberdade, troquei os cálculos de área pelos testes da Capricho. E depois disso as únicas coisas que gravei foram as fórmulas de Delta e Báscara.
Na verdade todo meu problema vinha de antes, quando eu comecei a decorar a tabuada. Eu não sei porque razão quando estava aprendendo enfiei na cabeça uma história sobre os números. Na minha cabeça enquanto decorava a tabuada do 2 e do 3 encasquetei que o dois era um número legal e sensato, enquanto o três era um mimadinho que vivia correndo atrás do nove e desprezava o seis que tentava ser seu amiguinho.
Bom foi assim que decorei que 2X3 = 6, porque o dois forçava o 3 a brincar com o seis. Mas que 3X3=9, porque quando só tinha três ele não queria brincar com o seis e partia rumo ao novo.
Agora imagina se alguém com essa linha de raciocínio podia virar engenheira? Na verdade nem mecher com o próprio dinheiro, mas enquanto não interditam...
Na verdade todo meu problema vinha de antes, quando eu comecei a decorar a tabuada. Eu não sei porque razão quando estava aprendendo enfiei na cabeça uma história sobre os números. Na minha cabeça enquanto decorava a tabuada do 2 e do 3 encasquetei que o dois era um número legal e sensato, enquanto o três era um mimadinho que vivia correndo atrás do nove e desprezava o seis que tentava ser seu amiguinho.
Bom foi assim que decorei que 2X3 = 6, porque o dois forçava o 3 a brincar com o seis. Mas que 3X3=9, porque quando só tinha três ele não queria brincar com o seis e partia rumo ao novo.
Agora imagina se alguém com essa linha de raciocínio podia virar engenheira? Na verdade nem mecher com o próprio dinheiro, mas enquanto não interditam...
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
São Paulo, meu amor
Não, ela não é uma cidade pacata, nem é cheia de belezas naturais e nem um exemplo de organização urbana. Mas eu gosto dela. Gosto de poder me perder por ela, de andar com os olhos marejados por ter perdido uma coisa boba que eu amo e ninguém me parar perguntando quem morreu. Posso ser mais um e chorar minhas bobagens ou minhas grandes dores sem que me façam perguntas. E também me deparar com a delicadeza de desconhecidos que me fazem acreditar um pouco mais no gênero humano.
E qualquer cidade onde a gente tem um amigo, um amor, nunca é apenas uma urbe. Imagine nessa onde está a maior parte deles.
“Quando eu morrer quero ficar
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.”
Mário de Andrade
E qualquer cidade onde a gente tem um amigo, um amor, nunca é apenas uma urbe. Imagine nessa onde está a maior parte deles.
“Quando eu morrer quero ficar
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.”
Mário de Andrade
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Vida dos otô - Parte I
Estava eu numa loja de departamentos tentando encontrar uma Havaianas meu número numa cor legal e duas funcionárias da loja ao lado da prateleira. Número 40 vermelha, 37 rosa, e as duas matraqueando. Não que eu precisasse da ajuda das duas para escolher um misero chinelo, mas elas podiam me poupar de ouvir o histórico amoroso de um casal de namorados. Fiquei tão constrangida que saí antes de escolher o chinelo e escutar detalhes piores.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Madorna*
Eu tenho o péssimo hábito de dormir vendo televisão e nem sempre programo para desligar. E estudei durante looongos anos pela manhã, o que me levou há ter sempre um despertar lá pelas seis da madruga, mesmo que eu possa dormir um pouco mais. Como a TV fica ligada eu acabo ouvindo o Telecurso enquanto estou naquela situação de zumbi. Acontece que o som acaba invadido os meus sonhos e no meio de uma história surreal aparece fórmulas matemáticas que estão sendo ensinadas na TV. Quando eu acordo lá pelas seis eu ainda lembro a fórmula de volume da pirâmide hexagonal, mas vou a dormir e esqueço. Uma pena, seria uma ótima maneira de estudar sem ter de carregar olheiras de brinde.
*Estado de sonolência, em que se fica entre acordado e dormindo
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
:-)
Algumas pessoas não são propriamente "amigos", mas estão longe de serem meros conhecidos. É gente por quem se nutre uma empatia besta, meio gratuita. É basicamente um eu-gosto-de-você reciproco e nada mais, nada de grandes conversas sobre os segredos do universo e nem confissões.
E não é que encontra com uma desssas pessoas assim, de bobeira deixa a gente feliz? Abraçar, desejar um Ano Bom sincero e só. E é voltar para casa com aquela certeza de que, sim, o ano vai ser bom.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Eu-vidente
Eu sempre tive a pretensão de tentar conhecer bem as pessoas que estão por perto, tentar saber do que elas seriam capazes, quais são seus verdadeiros valores. Coisa de menina boba e pretensiosa, é verdade.
Ai, um dia você acha que já conhece alguém e acaba surpreendida com o que está por trás daquilo que achava que conhecia. E isso magoa e também fere seu orgulho bobo, te faz um pouco mais humilde.
Um dia essa mesma pessoa age exatamente como você previu. E ai você não sente nenhum orgulho de ter previsto aquele movimento, ao invés disso vem uma tristeza. A tristreza de não poder mudar nada só porque sabia que seria assim.
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