É fácil ser favorável a eutanásia, ao aborto. Também é fácil ser contrário. Difícil mesmo é quando deixa de ser especulação e vira fato.
A cachorrinha da minha vó, a Pretinha, foi atropelada na minha frente, o barulho da pancada ainda ecoa na minha cabeça. Acabei indo junto com meu tio levar a coitada na veterinária e o pior acabou acontecendo, ela teve que ser sacrificada.
A cachorra tinha dois donos, minha avó e um outro tio que não estava em casa na hora do acidente. Quando eu contei o quadro pra minha avó, as possibilidades e o estado da cahorra ela disse que não aguentaria ver o bichinho sofrendo. Já o outro dono não conseguiu falar com a gente, sabia por cima o que tava acontecendo e preferia o tratamento. Tinhamos um impasse.
Era eu e meu tio que estavamos ali, que víamos a situação da cahorra. Não dava pra adiar infinitamente. Eu acabei autorizando.
É absurdamente rápido, a gente queria só ver a primeira injeção, que é a de sedação. Mas foi tão rápido que a gente nem percebeu as outras duas. A Pretinha não gritou, a gente sabe que ela não sofreu. Mas dá uma sensação estranha, um vazio. Tudo acaba ali num segundo. Não dá pra se arrepender e mudar de idéia semana que vem, está feito.
E não adianta, por mais que racionalmente você saiba que é o correto, dá um nó na garganta, uma vontade de chorar. E uma vontade de que alguém decida por você, uma necessidae de um abraço bem aperto com alguém te dizendo: 'Calma, eu vou resolver tudo. Vai ficar tudo bem."
Defender o aborto, a eutanásia eu defendo. Mas a coisa que eu mais quero é nunca ter que resolver sobre uma coisa assim.
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